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IERA LISBOA: TRATO HUMANIZADO

A Infertilidade é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “a incapacidade de um casal para alcançar a conceção ou levar uma conceção a termo após um ano ou mais de relações sexuais regulares, sem proteção contracetiva”. Assim, o Instituto Extremeño de Reproducción Asistida (IERA) nasceu com o propósito de ajudar as pessoas que sofrem com esta doença. Para melhor entender, Mafalda Rato, Embriologista e Coordenadora de Laboratório de Reprodução Medicamente Assistida, explicou à Revista Pontos de Vista de que forma o IERA, pioneiro de várias técnicas e tratamentos, procedeu aquando do início da pandemia.

O IERA Lisboa é relativamente recente em Portugal e tem como propósito devolver a esperança ao sonho de se poder construir uma família. Fazendo parte da QuironSalud, está integrado naquele que é o maior grupo de saúde privada na Europa, representado por hospitais e institutos universitários, equipados para responder a todas as especialidades e na vanguarda da medicina privada. Nele participam 23 Centros da Medicina da Reprodução, sendo o IERA Lisboa, o primeiro do grupo em Portugal. “O IERA decidiu estabelecer-se em Lisboa porque acredita que ainda há espaço para a inovação – e nós sabemos que em Portugal, os recursos ligados à infertilidade são menos do que os necessários”, começa por afirmar Mafalda Rato.

No que à Procriação Medicamente Assistida diz respeito, são fundamentais mais e melhores acessos em todas as vertentes, quer no Sistema Nacional de Saúde, como no setor privado, sendo que, neste último caso, segundo a nossa entrevistada “à semelhança do que acontece em Espanha, o aumento do número de centros ajuda a democratizar e a expandir o acesso a estes tratamentos. À medida que Espanha se tornou um pólo da Medicina da Reprodução para todo o mundo, julgo que Portugal tem condições muito favoráveis para também o ser”. Os fatores determinantes são a excelência dos profissionais da área e da tecnologia que – e cada vez mais – contribui para o sucesso dos tratamentos de infertilidade.

Quando questionámos a nossa entrevistada sobre ser legítimo ou não associar a eficácia dos tratamentos à inovação dos mesmos, a resposta foi um “sim” absoluto. Nos últimos anos temos assistido a uma evolução tecnológica que tem permitido ao IERA aumentar as taxas de sucesso. “Por exemplo, os óvulos quando fecundados, são colocados em incubadoras e esses embriões têm de ser observados diariamente para perceber a sua qualidade. Antes, estas observações eram estáticas e faziam-se uma vez por dia. Agora temos os equipamentos de TimeLapse como o GERI, que são também incubadoras e que fazem um registo dos embriões a cada cinco minutos”, esclarece a nossa entrevistada. Tal permite que, aos dias de hoje, se possam analisar 24 sobre 24 horas, podendo assim classificá-los melhor e posicioná-los por ordem de qualidade. Possibilita ainda que, por nunca saírem da incubadora, se mantenham intactos, estáveis e inalterados, resultando assim numa melhor eficácia do tratamento.

Além disso, existem as análises genéticas aos embriões e que, hoje em dia, estão perfeitamente viabilizadas uma vez que há critérios estabelecidos, por exemplo, para pacientes com idades superiores aos 39 anos – idade onde resultam algumas alterações cromossómicas naturais que podem ser um entrave para a concretização da gravidez e do seu sucesso.

Cabe ao IERA Lisboa, enquanto instituto de apoio à fertilidade, sensibilizar para a discussão do tema. Bastante ativos nas redes sociais, possibilitam, através das mesmas, um espaço de partilha entre pessoas que já passaram pelo processo e as que pretendem obter mais informações. “Nós tentamos chegar às pessoas desta forma, publicando vários artigos, tendo um site e um blog com muita informação pertinente, não apenas sobre os tratamentos e tecnologias, mas também sobre o dia-a-dia de quem deseja engravidar, com algumas dicas relevantes para as pessoas que pretendam seguir este caminho a ter consciência de que é preciso estarem bem não só fisicamente mas também psicologicamente”, afirma Mafalda Rato acrescentando ainda que “é necessário que se fale sobre a infertilidade. Penso que quanto mais se fala sobre infertilidade menor é o estigma, mas ninguém está preparado para receber um diagnóstico destes. Quando tal acontece é duro e é difícil assumir perante a família ou amigos”. Assim, e é com esse objetivo, que o IERA pretende ser esse espaço de abertura e compreensão, em que as pessoas sintam que não estão sozinhas.

 

TRATAMENTOS DE INFERTILIDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA: O QUE FAZER?

Não só este setor está em constante mudança como a sociedade em geral e, prova disso mesmo, é o atual panorama que vivemos. Com uma pandemia que chegou para dominar a sociedade mundial, desde logo a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução recomendou aos Centros de PMA que não iniciassem tratamentos de infertilidade e que cancelassem os recentemente iniciados.

No IERA Lisboa os tratamentos foram suspensos no início do Estado de Emergência, reabrindo portas no início de maio. Porém, o acompanhamento aos pacientes nunca, em momento algum, deixou de ser realizado, tendo sidas aplicadas medidas excecionais para o efeito. “Durante esse período estivemos em funcionamento por vídeoconsultas e mantivemos consultas presenciais nos casos com necessidade de avaliação. Os pacientes não podiam de repente ficar sem acompanhamento. Remodelamos rapidamente o nosso site com informações atualizadas sobre a Medicina da Reprodução e estivemos sempre atentos às discussões que se foram criando na Europa, muitas delas pela Sociedade Europeia – ESHRE, que desde logo promoveu discussões e partilha de informação”.

Numa altura de incerteza plena, as dúvidas sobre a transmissão da COVID-19 acabaram por ser imensas: naquele momento, não se sabia quantificar o risco de transmissão da mãe para o bebé ou se o vírus poderia estar presente nos gâmetas ou embriões, pelo que participar nestas discussões foi decisivo para a retoma da atividade.

A única certeza que foi, de facto, comprovada, foi a importância de manter o contacto com todos os que viram o seu tratamento suspenso. Além das vídeoconsultas, o IERA manteve em funcionamento a linha de atendimento por telefone e, foi ainda criado um sistema de consultas presenciais para situações mais urgentes.

Algo extremamente importante e que Mafalda Rato realça foram as “consultas de psicologia. Os pacientes precisavam de apoio, de esperança e nunca ficaram sozinhos. Ana Magina, a nossa Psicóloga foi incansável. Redigiu ainda imensos conteúdos para as nossas redes sociais”.

Quando foi possível regressar ao IERA, as práticas do dia-a-dia foram adaptadas. Foi implementado um plano de contingência, passou a ter uma agenda mais controlada e os acompanhantes também foram incluídos no sistema de triagem. Para facilitar o acesso às consultas, foi criado um sistema de envio antecipado de alguma documentação para reduzir o tempo na admissão e ainda um resumo sobre o que teriam de fazer na chegada ao centro. “Pensámos, claro está, que as pessoas se iriam sentir receosas, com medo de sair de casa. Mas foi uma surpresa. Houve uma compreensão e uma adesão muito grande. Comentavam que se sentiam muito seguras”, assume a nossa interlocutora.

Apesar das consequências da pandemia ainda não terem terminado, é possível desde já observar o seu impacto sobre o acesso a estes tratamentos de infertilidade, uma vez que as listas de espera do Serviço Nacional de Saúde aumentaram substancialmente. Para Mafalda Rato, também não é possível esquecer a debilidade social e económica que se tem sentido e que se poderá refletir no acesso a um centro PMA. Porém, não nos esqueçamos também, que há sonhos que são inadiáveis e que o IERA Lisboa continua preparado para responder caso a caso.

Atualmente, a nossa entrevistada admite que é seguro retomar ou iniciar estes tratamentos. “É óbvio que o risco de infeção depende do cuidado de cada um, mas é tão seguro retomar um tratamento de infertilidade quanto ter uma gravidez espontânea. O IERA está extremamente bem equipado para transmitir essa segurança e proporcionar a melhor experiência aos pacientes. É importante que as pessoas sintam confiança na equipa que escolherem. Essa equipa vai acolhê-los, vai guiá-los. É indispensável que sintam que estão a ter um bom acompanhamento médico, tecnológico e psicológico”.

Exemplo de uma equipa coesa, unida e focada no princípio da equidade, pertencentes à família IERA, estão, além da nossa interlocutora, José António Dominguez, Diretor Clínico, Ana Aguiar e Eduardo Rosa, ambos Especialistas em PMA, entre outros profissionais de excelência. No fundo, estes fatores importam porque, para muitos, será a concretização de um projeto de vida há muito idealizado.

 

O FUTURO DA NATALIDADE E DA PMA EM PORTUGAL

“O cuidado assistencial pessoa a pessoa” é o lema do IERA e, só assim faz sentido para os profissionais de saúde que por lá dedicam o seu tempo. Tal significa que, neste instituto, todos são tratados de forma individual, tendo um tratamento também ele distinto e particular, de acordo com o seu diagnóstico, expectativa e necessidade. Contudo, é o trato humanizado que o distingue – algo que não deixou de existir, por um segundo, nem em plena pandemia.

Com conquistas sucessivas e diárias, para o próximo ano o IERA pretende continuar a crescer, seja em equipa, seja em pacientes tratados. “Esperamos manter ou superar as ótimas taxas de gravidez que temos tido até então – até porque estamos sempre a aprender e a melhorar. Queremos introduzir mais equipamentos nos laboratórios, acompanhar a inovação e continuar atentos às novas tecnologias”. É por isso permitido no IERA Lisboa ansiar por uma vida partilhada com aquele que será para sempre o seu bebé. É por isso também que as perspetivas para o futuro da natalidade e da PMA em Portugal são otimistas e aqui nunca deixaram de o ser.